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Os Exames Mais Importantes para o Tratamento

Deve-se ter uma análise bastante objetiva, prática, racional e criteriosa dos exames a serem solicitados. Somente exames que possam esclarecer o diagnóstico ou traçar os tratamentos a serem realizados deverão ser pedidos. É importante que o casal saiba que nem sempre os exames podem ser realizados no mesmo mês. Alguns deles dependem do período menstrual, ou seja, devem ser pedidos após a menstruação em dias pré-determinados. Há exames que são invasivos, dolorosos e de risco (por envolverem procedimentos com anestesia, por exemplo) e devem ser solicitados apenas quando necessário.

Os exames mais importantes que a mulher deve realizar devem ser:

1) Dosagens hormonais: As dosagens hormonais baseiam-se no fato de que o funcionamento dos ovários está sob controle de diversos outros hormônios produzidos principalmente na hipófise. A hipófise é uma glândula que está localizada bem no centro de nosso cérebro e produz hormônios que controlam o funcionamento dos ovários, na mulher, e testículos, no homem. Quando se deseja saber se os ovários estão funcionando adequadamente, podemos lançar mão das dosagens de hormônios produzidos pela hipófise, pois existe aí um mecanismo de controle bilateral, conforme esquematizado abaixo.



As dosagens hormonais devem ser realizadas sempre que a mulher apresenta alguma alteração do ciclo menstrual e os principais hormônios a serem analisados são: FSH, TSH e Prolactina. Mulheres com mais de 35 anos também se beneficiam desses exames. O FSH, quando realizado no 3° dia do ciclo, ajuda a avaliar a chamada “reserva ovariana”, ou seja, a capacidade do ovário em responder à indução da ovulação. Quanto maior o FSH, menor a reserva dos ovários e, portanto, mais medicação deverá ser utilizada. O ideal é que o valor do FSH esteja abaixo de 6 UI/ml e valores acima de 10 UI/ml indicam uma baixa reserva, com menor taxa de gestação e mais risco de abortamentos. Em casos de FSH elevados podem ser utilizados outros tipos de exames com testes específicos com mais de uma dosagem.

O TSH auxilia no diagnóstico de hipotireoidismo ou hipertireoidismo. Mesmo mulheres que não tenham nenhum sintoma podem apresentar alterações no funcionamento da tireóide. O hormônio prolactina apresenta importância muito grande, pois quando pouco aumentado pode correlacionar com ciclos menstruais curtos, perdas fetais precoces ou dificuldade de implantação embrionária. Quando muito elevado pode significar alterações a nível central (hipófise ou Sistema Nervoso Central) e é indicativo para outros tipos de exames.



2) Ultra-sonografia Pélvica Transvaginal: É um exame simples e indispensável na avaliação de qualquer mulher. É um exame inócuo, de baixo custo e de boa sensibilidade.  Permite que se faça diversos diagnósticos, tais como: pólipos endometriais, miomas, hidrossalpinge, cistos ovarianos, endometriomas, etc. Deve ser realizado preferencialmente no início do ciclo menstrual, logo após o término da menstruação. Os principais aspectos a serem avaliados pelo exame de ultra-som são útero e anexos (ovários).



3) Avaliação da permeabilidade tubárea: A avaliação da permeabilidade tubárea pode ser feita através de dois exames básicos. Cada um deles apresenta vantagens e desvantagens.

Histerosalpingografia: É um exame realizado desde há muitos anos e fornece importantes informações sobre a anatomia interna feminina. Na histerosalpingografia é injetado um contraste solúvel em água (hidrosolúvel) através do orifício externo do colo do útero. Esse contraste é radio-opaco e assim que se tiram alguns raios-X, consegue-se “desenhar” o útero e suas trompas. O grande inconveniente é que se utiliza radiação, cujos efeitos em nosso organismo são acumulativos, e irradia-se um órgão nobre que é o ovário. Outro inconveniente é que é um exame doloroso, pois o útero contrai assim que se começa a injeção do contraste e isso provoca cólica. Infelizmente o exame não pode ser realizado sob sedação, pois algumas vezes é preciso que a mulher se movimente para uma melhor visualização do interior do útero.


A histerosalpingografia deve ser realizada logo após o término da menstruação e, geralmente, precedida, no mesmo dia, de um exame de ultra-sonografia transvaginal, para afastar possíveis alterações indesejáveis. É importante que o exame de histerosalpingografia seja realizado por profissional competente e experiente. Deve-se analisar desde a entrada do útero (canal cervical), o corpo uterino (na procura de algumas alterações que possam sugerir pólipos, miomas, aderências) até as trompas (permeabilidade ou dados sugestivos de aderência). A interpretação dos resultados também deve ser realizada por especialista. Exames anteriores sem alterações também não indicativos que atualmente está ainda normal. Esse exame não visualiza endometriose nem aderências abdominais.

Video-laparoscopia: Apesar de ser um exame cirúrgico complementar da histerosalpingografia e de grande valor diagnóstico, apresenta como principal inconveniente o fato de precisar de anestesia geral para sua realização. Assim sendo, deve-se avaliar o risco do procedimento cirúrgico-anestésico com os benefícios que o exame vai trazer. Nesse exame introduz-se uma cânula do calibre de uma carga de caneta esferográfica pela cicatriz umbilical. Esse aparelho está conectado a uma câmera de vídeo e com isso consegue-se visualizar todo o interior do abdome, avaliando-se, portanto a parte externa do útero, trompas, etc. Pode-se injetar um corante pelo colo uterino e com isso avaliar a permeabilidade das trompas. É o principal exame diagnóstico de endometriose, e, além disso, pode ser também terapêutico no caso de confirmação diagnóstica, pois se podem cauterizar eventuais focos. Em casos de hidrosalpinge, ou seja, presença de líquido nas trompas, a retirada das mesmas melhora o prognóstico de gestação, pois esses líquidos podem dificultar a implantação embrionária.


4) Avaliação da cavidade uterina: É um exame que deve ser feito sempre que há suspeita de alguma alteração no interior do útero. Também deve ser realizado quando certamente o casal fará fertilização assistida (FIV ou ICSI).

            Pode ser feito através da histerosalpingografia, conforme já citado anteriormente. Nesse exame se tem uma boa avaliação do interior do útero, assim como das trompas. Entretanto, pode ser realizado também através da histerosonografia e histeroscopia.

Histerosonografia: É uma complementação da ultra-sonografia normal, em que é injetado soro fisiológico na cavidade uterina através de um exame ginecológico e com isso há distensão do útero, podendo-se visualizar pólipos, miomas intra-útero e defeitos da cavidade. Pode ser realizado na própria sala de ultra-sonografia, geralmente quando indicada quando o exame prévio de ultra-som mostra algum defeito do corpo uterino. É geralmente bem tolerado, provocando pouco desconforto. Também não visualiza trompas e cavidade abdominal.

Histeroscopia: Semelhante ao que ocorre com a laparoscopia, esse exame é realizado através de uma fina cânula conectada a um vídeo, que é introduzida na cavidade uterina. Para se ter uma boa avaliação da cavidade uterina é injetado gás (geralmente gás carbônico) que é inerte e facilmente absorvido depois do exame. Através da histeroscopia, tem-se uma boa avaliação do canal cervical, cavidade uterina e óstios tubáreos (saída das trompas do útero). Também deve ser feito logo após a menstruação e pode ser feita junto com a laparoscopia. Esse exame pode ser feito com sedação ou sem, pois também pode provocar cólica, embora de menor intensidade que a histerosalpingografia. Esse exame, entretanto, não permite fazer o diagnóstico de aderências abdominais nem de alterações tubárea.


5) Outros exames:

Existem alguns exames que vão ser solicitados dependendo da história clínica ou de exames anteriores já sabidamente alterados. Alguns exames, entretanto, tem valor duvidoso.

Avaliação do Muco Cervical: Apresenta interpretação questionável e pouca praticidade, pois se houver algumas alterações imunológicas a nível de canal cervical a conduta será mesmo a realização de inseminação intra-útero ou fertilização assistida.

Teste Pós-Coito: Muito utilizado até alguns anos atrás hoje tem sido abandonado pela maioria dos centros de reprodução. Nesse exame pedia-se ao casal que mantivesse relação sexual e após algumas horas era realizado um exame ginecológico com a intenção de se avaliar a presença e a qualidade de espermatozóides na vagina e canal cervical do útero. Além do constrangimento do próprio exame e do abalo psicológico de o casal ter que manter “relação sexual programada” é um exame que não oferece subsídios diagnósticos e por essa razão deixou de ser prática costumeira.

Biópsia Endometrial: Pouco utilizado, exceto quando há suspeita de alterações de corpo lúteo (em caso de abortamentos de repetição) ou em caso de suspeita de alterações inflamatórias endometriais (endometrite crônica, por exemplo).

Teste de penetração Espermática em Óvulo de Hamster: Muito utilizado antes do advento de técnicas mais eficazes de tratamento, como a ICSI. Atualmente não é mais realizado.


Causas Femininas da Infertilidade

Diversos fatores contribuem para a dificuldade do casal em ter filhos, sendo que tanto o homem como a mulher participam em igual parcela de responsabilidade na infertilidade conjugal. Nesse post vamos conhecer um pouco mais sobre as diversas causas femininas da Infertilidade.

A IDADE DA MULHER É IMPORTANTE?

A capacidade de gestação é também dependente da idade, sendo que o período de melhores chances em se engravidar é até os 30 anos de idade. Com o progredir da idade, diminuem as chances da mulher em engravidar e aumentam as chances em abortar. Após os trinta anos de idade há uma diminuição lenta e gradual da chance de gestação até os 35 anos de idade, quando então a diminuição se torna mais marcante, sendo a queda na capacidade de se engravidar mais acentuada após os 38-39 anos de idade. Isso ocorre tanto nas gestações naturais quando naquelas obtidas por qualquer método de fertilização assistida, como demonstrado na tabela abaixo, da Sociedade Americana de Reprodução Humana.

 
A causa principal da queda de fecundidade na mulher se deve às condições de seus ovários que apresentam alterações estruturais importantes que dificultam a fertilização ou mesmo a implantação embrionária. No homem os espermatozóides são produzidos continuamente de tal modo que depois de aproximadamente 85 dias um novo espermatozóide maduro é formado. Já a mulher nasce com todos seus óvulos prontos e ao final de um ciclo (aproximadamente 28 a 30 dias) um óvulo é liberado.

Como as células germinativas (espermatozóides e óvulos) são células mais sensíveis às agressões externas, elas podem sofrer alterações com o tempo. Essas agressões são variadas, como irradiações, alimentação, agressão por agrotóxicos, conservantes, etc. Como o tempo de vida dos espermatozóides é mais curto, as alterações são menores do que aquelas que acontecem com os óvulos.

Assim, os óvulos de uma mulher de 40 anos também têm 40 anos de idade e já sofreram diversas agressões ao longo deste tempo. Além disso, outros fatores próprios dos ovários, fatores esses genéticos, podem fazer com que os ovários envelheçam mais rapidamente, podendo inclusive culminar com a sua falência, a chamada Falência Ovariana Precoce, ou Menopausa Precoce.

As principais causas femininas de infertilidade são:
Fator tubáreo: É a principal das causas. São alterações na permeabilidade das trompas, ou na sua funcionalidade. Podem ser devidos a: obstrução tubárea, hidrossalpinge (líquido nas trompas), seqüela de doença inflamatória pélvica, endometriose.

Fator ovariano: É outra causa importante de infertilidade. Significa que a mulher não está ovulando ou que esteja produzindo óvulos de má qualidade. As mais freqüentes são: Síndrome dos Ovários Policísticos, Falência Ovariana Precoce, alterações da Fase Lútea (período depois da ovulação).

Fator peritoneal: Significa que algo está dificultando o encontro dos espermatozóides com o óvulo, como a endometriose, aderências pélvicas (depois de Doença Inflamatória Pélvica, por exemplo).

Fator uterino: Ocorre quando existem alterações no útero que impedem a fertilização do óvulo ou a implantação do embrião na cavidade uterina, como, por exemplo, aderências intra-útero (chamada também de sinéquias), miomas, alterações no muco endocervical (muco com presença de substâncias que destroem os espermatozóides), endometrites.

Endometriose:
A endometriose merece um tópico especial, pela sua prevalência, complicações, teorias e formas de tratamento. A endometriose é a presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. A mulher com endometriose tem geralmente menstruação com muita dor, que geralmente é progressiva, ou seja, vai aumentando com a idade.

Todos os meses, quando a mulher menstrua, um pouco da menstruação pode sair (refluir) pelas trompas e cair na cavidade abdominal e se implantar (aderir, grudar) lá em qualquer local: parte externa da trompa, ovários, parede abdominal, bexiga, intestinos, etc. A menstruação é na realidade a descamação do tecido interno do útero e chama-se endométrio, que quando se implanta fora do útero é chamado de endometriose. Quando o implante ocorre nos ovários é chamada de endometrioma, quando no útero é também chamada de adenomiose.



Esses implantes de endometriose causam irritação no organismo da mulher que começa a produzir alguns mecanismos de reparação, gerando com isso um “ambiente inflamatório”. É essa “inflamação” que provocas dores na menstruação, dificulta o encontro dos espermatozóides com o óvulo, atrapalha o funcionamento das trompas, etc. É isso que faz com que a mulher com endometriose tenha dificuldade em engravidar.

O diagnóstico é feito baseado na história clínica, dosagens de CA-125 (exame discutível para o diagnóstico, mas muito bom para o seguimento do tratamento) e principalmente com a realização da laparoscopia, onde se visualizam os implantes da endometriose. O tratamento geralmente é feito com medicações que fazem com que o endométrio não funcione e com isso a endometriose também não funciona.

Quando a mulher usa essas medicações ela fica sem menstruar, mas pode ter outros sintomas como ondas de calor, suores noturnos, irritabilidade, mal estar, e outros. Quando a endometriose é mais avançada (estádios III ou IV ou também chamada de moderada ou grave) a melhor alternativa para se engravidar é a realização de fertilização assistida, seja FIV ou ICSI.

Não consigo engravidar!

A constituição de uma família é, de um modo geral, sonho de toda mulher na fase reprodutiva. Ela quer ver sua casa cheia de crianças, amamentar e acalentar seu bebê, mostrar com orgulho aquela barriga grávida, levar as crianças à escola, sonhar com netos... Parece quase certo que no momento que a mulher desejar ela terá sua família do tamanho que sonhar. Fazem parte desse sonho a vida familiar, a realização de si mesma e do companheiro, as experiências com a gravidez, o parto e a amamentação. Isso tudo é uma extensão do casamento, do relacionamento estável, da sexualidade e do amor.

São tantas coisas que passam pelas cabeças dessas mulheres, que se torna quase um martírio quando essa possibilidade não existe. Descobrir que tem dificuldade em engravidar pode levá-la a sentimentos dolorosos e de difícil compreensão, de difícil controle. Porque eu? Porque não consigo? Será que esse diagnóstico é para sempre? Será que nunca vou ser mãe? A mulher começa a ter medo do diagnóstico, medo de não conseguir seu sonho, medo de não ser capaz.

Na maioria das vezes ela se isola em seu mundo de frustração, achando que ela é única no mundo, que não haverá solução para sua situação. A cada criança que ela vê na rua, com seus amigos, mais ela se machuca e acha que ninguém entende como ela está se sentindo. Nem seu marido... Muito menos seu marido.

A infertilidade passa a ser vista como uma punição, e ela não consegue entender o que fez para merecer isso. O fracasso em ser mãe parece estampado no espelho a cada manhã, a cada menstruação indesejada, a cada teste de gravidez negativo. A auto-estima diminui, ela não se sente mais atraente e começa a achar que seu companheiro não desejará mais ficar com ela se ela “não lhe der um filho”.

Com isso, surge a raiva, a tristeza e em alguns casos isso começa a afetar a própria sexualidade do casal, onde o prazer do ato sexual começa a ser substituído pelo fardo de “fazer” filhos. Isso pode levar a depressão e manifestações hostis, outrora impensadas. Nem sempre o homem manifesta claramente seus sentimentos, preferindo recolher-se e refletir. A mulher pode interpretar isso como um afastamento, um menosprezo de sua dor, ou ainda, a mulher pode fantasiar situações inexistentes, como traição e deslealdade.

O que a mulher precisa saber é que na maioria das vezes essas dificuldades têm soluções, geralmente simples. A vida não é feita só de rosas, e muitas vezes para sentir o seu perfume devemos remover alguns espinhos....

 

Quando buscar ajuda de um especialista?

Nem sempre o que é bom para um casal é bom para outro. É importante para o casal que está procurando ajuda para engravidar ter em mente que os diagnósticos são variados e os tratamentos também. Nem toda endometriose é igual e nem toda alteração masculina tem o mesmo tratamento. Se aquele casal amigo, portador de obstrução tubárea conseguiu engravidar somente depois de três tentativas de fertilização in vitro, não significa que isso também vai acontecer com você que também tem trompas obstruídas.

Existem algumas situações em que o prognóstico é mais sombrio, ou seja, as chances de conseguir uma gestação se torna menor. A idade da mulher é um fator importante. Para uma mulher com idade superior a 35 anos o tratamento deve ser mais criterioso. Para esses casos não se deve insistir muito com indução de ovulação ou mesmo inseminação intra-útero, que apresentam chances de sucesso próximo de 15%. Se não se obtém sucesso depois de algumas tentativas, devem-se procurar soluções mais promissoras (FIV ou ICSI). De um modo geral, até os 30 anos de idade, as chances de se obter gravidez é 45 a 50%; dos 30 aos 35 anos de idade, essa chance diminui para 40 a 45%; dos 35 aos 40 anos de idade, a chance de sucesso é ao redor de 30 a 40%; dos 40 aos 42 anos de idade é ao redor de 20% e após os 42 anos de idade a possibilidade de sucesso é menor que 10%.

Quanto maior o tempo que o casal está tentando uma gestação, pior é o prognóstico, pois provavelmente mais fatores indesejáveis e graves devem estar contribuindo para a dificuldade em engravidar. Outras causas devem ser investigadas como alterações masculinas, endometriose, anovulação, etc.

Todo casal que está há mais de um ano desejando ter filhos e não consegue, deveria ser submetido à pelo menos uma investigação básica de infertilidade. A investigação nem sempre é rápida e o casal deve estar ciente que alguns exames diferentes dos habituais serão necessários. É importante lembrar que a investigação é sempre do casal, ou seja, do homem e da mulher. Essa cumplicidade deve existir desde a investigação e tornar-se ainda mais forte quando se cogitar o tratamento. Há algumas situações, entretanto, onde a investigação poderá se iniciar antes mesmo desse período básico de um ano, tais como:mulheres com mais de 35 anos de idade, antecedentes de doença inflamatória pélvica, endometriose, cirurgias abdominais, distúrbios menstruais (menstruação irregular ou ausente). Homens com antecedentes de criptorquidia (testículos que “não desceram para a bolsa escrotal” na infância) ou história de traumas ou infecções testiculares.

Sempre a história clínica é importante. Antes de se iniciar a investigação complementar (exames laboratoriais) é fundamental conhecer os antecedentes da mulher e do homem. Para a mulher algumas informações serão de fundamental importância, como: duração da infertilidade, tratamentos prévios, história sexual, hábitos de vida (principalmente tabagismo), antecedentes de cirurgias e infecções, uso de medicamentos, idade da primeira menstruação, padrão menstrual (intervalo, duração e quantidade da menstruação), presença de dor menstrual, tensão pré-menstrual, gestações anteriores, etc.

Como sempre, o diagnóstico precoce oferece melhores resultados terapêuticos e a demora excessiva pode custar muito caro.

Ovários Policísticos ou SOP

Existe alguma confusão quando se fala em ovários policísticos. É relativamente comum a mulher ir ao ultrasonografista e sair com o laudo de “ovários de aspectos policísticos” e essa informação deixá-la preocupada. Quando se visualiza os ovários no ultra-som pode-se ver presença de alguns folículos residuais que podem ser chamados erroneamente de cistos e daí a confusão. Presença de múltiplos folículos ou “pequenos cistos” nos ovários é encontrado em ¼ das mulheres ovulatórias normais e portanto não têm significado clínico. Entretanto, o diagnóstico de cisto pressupõe, de maneira incorreta, a necessidade de cirurgia, o que era realizado em um passado não muito distante.



Por outro lado, quando a mulher apresenta além de ovários policísticos outros sinais e sintomas como acne, presença de pelos abundantes, distúrbios menstruais (como atrasos menstruais freqüentes), ela pode ser portadora da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Essas manifestações se devem principalmente à produção excessiva de androgênios pelos ovários. A presença de ciclos irregulares deve ser um alerta importante para a mulher procurar o ginecologista, pois é um indício que a mulher não está ovulando, o que não é normal. Muitas vezes é SOP. A SOP é hoje considerada uma patologia pluriglandular, pois envolve não só alterações ginecológicas mas também outras manifestações como resistência à insulina.

E aí o que fazer? Não é aconselhável a mulher persistir com essas irregularidades menstruais. Ela deve inicialmente investigar com seu ginecologista, através de dosagens hormonais e outros exames, o que está ocorrendo. Caso ela não deseje gestação, um dos tratamentos mais utilizados é o uso de anticoncepcionais com substâncias que diminuem a ação dos androgênios, reduzindo assim a acne e a pilosidade excessiva além de regularizar as menstruações. Substâncias que melhoram a ação da insulina ou diuréticos também podem ser usadas. Com essas medicações há uma melhora geral e a auto-estima da mulher fica ainda muito maior.

Caso a mulher esteja querendo engravidar pode ser que ela necessite de um pequeno estímulo com drogas indutoras de ovulação, que podem ser prescritas no consultório mesmo e que apresentam bons resultados. São medicações de fácil uso, com poucos efeitos colaterais e baixo custo. Deve-se sempre ter o acompanhamento do ginecologista, pois alguns efeitos adversos, embora raros, podem ser extremamente graves. Quando o uso dessas medicações mais simples não funcionar, sempre restará o recurso de induções de ovulações mais intensivas, mas igualmente com bons resultados em se obter gravidez.

A Síndrome dos Ovários Policísticos não é um bicho de sete cabeças e é facilmente tratada na maioria das vezes.

Na dúvida, vá ao seu médico.....

Infertilidade masculina: mito ou realidade?


Desde os tempos mais remotos existe um conceito bem difundido que cabe ao homem a responsabilidade de ter descendente. Na idade média quando um rei não tinha filhos, acabava por renunciar àquela mulher e procurar outra que fosse mais fértil. Era inconcebível ao homem ter alguma responsabilidade na dificuldade em ter filhos. Ainda temos alguns resquícios desse tipo de pensamento e muitos homens não conseguem sequer pensar na possibilidade de serem inférteis. Muitos relutam para fazer um simples espermograma. A investigação na mulher é bem mais complexa, com realização de diversos exames (ultra-som, dosagens hormonais, laparoscopia, histerosalpingografia, etc) enquanto que no homem é bem mais simples e não deve ser negligenciada. Entretanto, o que muitos homens não conseguem aceitar é que os fatores masculinos de infertilidade são responsáveis por cerca de 40 a 50% dos casos de infertilidade conjugal.

São alterações em quaisquer dos parâmetros do sêmen. O mais freqüente é a baixa concentração dos espermatozóides, mas também pode haver alterações em sua movimentação ou morfologia. A análise básica do fator masculino é o espermograma que deve ser colhido com 2 a 5 dias de abstinência sexual, ou seja, sem relação sexual ou masturbação. Devem ser avaliados o volume, pH, viscosidade, concentração, morfologia, vitalidade, motilidade, etc. Quando existe um exame de sêmen alterado o ideal é que se colha uma nova amostra, com intervalo de 30 dias, para confirmação diagnóstica.

As alterações no sêmen podem ser devidas principalmente a infecções e suas conseqüências (orquite, epididimite, prostatite), como, por exemplo, aquelas causadas pela caxumba na infância. A criptorquidia, ou seja, quando os testículos não descem para a bolsa escrotal também pode levar a alterações no sêmen. Também podem existir no homem alterações imunológicas e genéticas. As varicoceles são de valor discutível como causa de alteração seminal, pois em muitas vezes a correção da varicocele não leva a normalização do espermograma. Em casos de alterações severas, a avaliação por um urologista/andrologista é muito importante.

Todos os fatores acima podem dificultar a fertilização do óvulo pelo espermatozóide, levando a uma dificuldade em se obter uma gestação. Por isso o casal deve ser investigado detalhadamente para se ter um diagnóstico correto. Não é porque uma mulher tem endometriose, por exemplo, que os fatores masculinos de infertilidade não devam ser investigados. Do mesmo modo, se uma mulher apresenta como causa já diagnosticada de infertilidade uma anovulação, (dificuldade em ovular), não se deve negligenciar um possível fator tubáreo associado, pois muitas vezes encontram-se vários fatores de infertilidade associados em uma mesma pessoa.

Algumas alterações masculinas mais complexas têm como tratamento a realização de procedimentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro. Algumas alterações mais simples podem ser tratadas no consultório mesmo, mas não devem ser esquecidas pelo médico que trata o casal. Afinal, quem engravida é o casal.

ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA INFERTILIDADE

A constituição de uma família é, de um modo geral, sonho de toda mulher na fase reprodutiva. Ver sua casa cheia de crianças, poder amamentar, poder acalentar seu nenê, mostrar com orgulho aquela barriga grávida, levar as crianças à escola, sonhar com netos... Parece quase certo que no momento que a mulher desejar ela terá sua família do tamanho que sonhar. Fazem parte desse sonho a vida familiar, a extensão genética e as experiências com a gravidez, o parto, a amamentação e a puericultura. Isso tudo é uma extensão do casamento, do relacionamento estável, da sexualidade e do amor.

São tantas coisas que passam pelas cabeças dessas mulheres, que se torna quase um martírio quando essa possibilidade não existe. Descobrir que a mulher tem dificuldade em engravidar pode levá-la a sentimentos dolorosos e de difícil compreensão, de difícil controle.

Em alguns casos parece irônico que a mulher que usou métodos anticoncepcionais por tanto tempo agora se veja diante de um diagnóstico de infertilidade. Afinal, não precisaria ter usado pílula por tantos anos. A confusão se instala rapidamente em sua cabeça e cede lugar à frustração e o medo. Porque eu? Porque não consigo? Será que esse diagnóstico é para sempre? Será que nunca vou ser mãe? A mulher começa a ter medo do diagnóstico, medo de não conseguir seu sonho, medo de não ser capaz.

Na maioria das vezes ela se isola em seu mundo de mulher frustrada, achando que ela é única no mundo, que não haverá solução para sua situação. A cada criança que ela vê na rua, com seus amigos, mais ela se machuca e acha que ninguém entende como ela está se sentindo. Nem seu marido... Muito menos seu marido.

A infertilidade passa a ser vista como uma punição, e ela não consegue entender o que fez para merecer isso. O fracasso em ser mãe parece estampado no espelho a cada manhã, a cada menstruação indesejada, a cada teste de gravidez negativo. A auto-estima diminui, ela não se sente mais atraente, ela não se preocupa mais com sua aparência e começa a achar que seu companheiro não quererá mais ficar com ela se ela “não lhe der um filho”.

A raiva pode aparecer, pois a cada momento ela se pergunta porque existem tantas mães negligentes com seus filhos e, no entanto tem a casa cheia deles. Porque ela que é inteligente, competente, profissional de sucesso, religiosa, mulher bem sucedida, não consegue ter um filho? Eu serei capaz de amar meu filho mais que tudo nessa vida, mas mesmo assim ele não vem. Cada vez que alguém pergunta o que há de errado com ela, mais ainda a raiva aumenta, mais passa a sentir-se enfurecida com seu corpo, seu marido, seus amigos e sua vida.

A tristeza costuma aparecer e às vezes a gestação passa a ser uma obsessão. Tudo na vida começa a girar em função disso. Seu tempo na internet começa a ser preenchido com pesquisas infindáveis a sites de infertilidade e a orientações de qual o melhor dia para se ter relação sexual, qual a melhor posição, qual a melhor dieta. Se houver uma orientação para se “plantar bananeira” depois do sexo, lá estará ela de pernas para cima depois de uma relação sexual programada, com dia escolhido a dedo, do jeito que está escrito.
Em alguns casos isso começa a afetar a própria sexualidade do casal, onde o prazer do ato sexual começa a ser substituído pelo fardo de ter filhos. Em alguns casos a busca pela solução da infertilidade aproxima mais ainda o casal, levando-os a uma maior cumplicidade e intimidade. Em outras situações isso os afasta, com descontrole sobre suas vidas e emoções por conta de uma culpa transferida ao parceiro. Isso pode levar a depressão e manifestações hostis, outrora impensados. Nem sempre o homem manifesta claramente seus sentimentos, preferindo recolher-se e refletir. A mulher pode interpretar isso como um afastamento, um menosprezo de sua dor, ou ainda, a mulher pode fantasiar situações inexistentes, como traição e deslealdade.

Como evitar isso? Como administrar essa angústia, esse medo, esse sentimento dúbio de amor e ódio? Com muito amor. Amor conjugal, amor no tratamento profissional, amor em Deus.

TENHO OVÁRIOS POLICÍSTICOS - POSSO ENGRAVIDAR?

Existe alguma confusão quando se fala de ovários policísticos. É comum a mulher ir ao ultrasonografista e sair com o laudo de “Ovários de aspectos policísticos” e essa informação deixá-la preocupada. Quando se visualiza os ovários no ultra-som pode-se ver presença de alguns folículos residuais que podem ser chamados erroneamente de cistos e daí a confusão. Presença de múltiplos folículos ou “pequenos cistos” nos ovários é encontrado em ¼ das mulheres normais e portanto não têm significado clínico.

Por outro lado, quando a mulher apresenta além de ovários policísticos outros sintomas e sinais como acne, presença de pelos abundantes, distúrbios menstruais como atrasos menstruais importantes, ela pode ser portadora da Síndrome dos Ovários Policísticos. Essas manifestações se devem principalmente à produção excessiva de androgênios pelos ovários. A presença de ciclos irregulares deve ser um alerta importante para a mulher procurar o ginecologista e diagnosticar a causa. Muitas vezes é SOP. A SOP é hoje considerada uma patologia pluriglandular, pois envolve não só alterações ginecológicas mas também outras manifestações como resistência à insulina, etc...

E aí o que fazer? Não é aconselhável a mulher persistir com essas irregularidades menstruais. Ela deve inicialmente investigar com seu ginecologista, através de dosagens hormonais e outros exames, o que está de fato acontecendo. Caso ela não deseja gestação um dos tratamentos mais utilizados é o uso de anticoncepcionais com substâncias que diminuem a ação dos androgênios, reduzindo assim a acne, pilosidade excessiva e regularizando as menstruações. Com essa medicação há uma melhora geral e a auto-estima da mulher fica ainda muito maior.

Caso a mulher esteja querendo engravidar pode ser que ela necessite de um pequeno estímulo com drogas indutoras de ovulação, que podem ser prescritas no consultório mesmo e que apresentam bons resultados. São medicações de fácil uso, com poucos efeitos colaterais e baixo custo. Em alguns casos a mulher pode se beneficiar com o uso de outras substâncias que visam corrigir eventuais alterações metabólicas. Quando o uso de medicações mais simples não funcionar, sempre restará o recurso de induções de ovulações mais intensivas, mas igualmente, com bons resultados em se obter gravidez.

A Síndrome dos Ovários Policísticos não é um bicho de sete cabeças e é facilmente tratada na maioria das vezes. Na dúvida, vá ao seu médico.....

DOAÇÃO DE GAMETAS...... UM ATO DE AMOR !!!

Para que ocorra a gravidez é necessária a união do espermatozóide com o óvulo e posterior implantação do embrião no útero. Existem situações onde isso se torna mais difícil, necessitando de ajuda médica. É o caso de algumas mulheres em que a produção de óvulos está sensivelmente diminuída, ou mesmo inexistente. Isto é o que acontece na menopausa, em mulheres submetidas à quimioterapia ou radioterapia ou mesmo naquelas com óvulos próprios, mas de baixa qualidade.

Se o homem não tem espermatozóides ele pode recorrer a um “banco de sêmen”, que mantém sêmen congelado de doadores, por vários anos, se necessário. Mas e a mulher? Precisa recorrer a um “banco de óvulos”? Existem diferenças muito importantes entre os gametas femininos e masculinos. Enquanto que o espermatozóide pode ser congelado e manter-se ativo e apto por muitos anos, o mesmo não acontece com o óvulo. Existem pesquisas recentes que têm apresentado boas perspectivas no congelamento de óvulos, mas ainda não oferecem os mesmos resultados daqueles obtidos com óvulos coletados “a fresco”.

Portanto, tanto o homem como a mulher podem recorrer à doação de gametas. No caso da mulher o óvulo é obtido de doadoras que estão se submetendo a tratamento de reprodução assistida e que doam voluntariamente o excedente de seus óvulos.

Segundo o Conselho Federal de Medicina na Resolução 1.358-92, a doação de óvulos não pode ter caráter lucrativo ou comercial, ou seja, não pode ser “comprado” nem “vendido”. Os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa. A doação deve ser espontânea e a doadora deve ser compatível fisicamente com a receptora e não ter nenhuma doença infecciosa...

Os óvulos excedentes da doadora são então fertilizados com os espermatozóides do marido da receptora e os embriões gerados são transferidos para o útero da receptora. As chances de gestação são muito boas e inúmeras crianças já vieram ao mundo com essa técnica. A receptora dos óvulos terá seu filho com características genéticas da doadora e de seu parceiro. Entretanto, ela é a mãe.

Ser mãe é muito mais que fornecer carga genética, assim como ser pai é muito mais que um fornecedor de espermatozóide. A doação é um ato de amor, pois propicia a realização do milagre sublime de ser mãe.

Artigos e Trabalhos Médicos

Artigo científico em desenvolvimento...

POWER ICSI

A escolha do melhor espermatozóide leva a melhores chances de gestação.Mas como escolher o melhor espermatozóide?

Não somente a morfologia (método atual de escolha dos espermatozóides) é importante, mas também a funcionalidade. Nesse sentido um novo teste, designado desde os primeiros estudos de Ranganathan (1994) e ultimamente por Huszar (2007), permite que seja selecionado o espermatozóide que apresenta determinadas proteínas que são reconhecidas pelo óvulo.

Essa seleção possibilita a escolha do espermatozóide com melhor integridade genética permitindo a formação de um embrião com maior potencial de implantação embrionária.

Uma nova e eficiente técnica (POWER ICSI) permite essa seleção, aumentando as chances de sucesso em se obter uma gestação viável, através da escolha do espermatozóide de uma forma mais completa.

E outra boa notícia: sem custo adicional...